quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O segredo do túmulo de Elena.

Esta é a crônica de um amor que começa onde acabam os demais. Uma história de amor impossível entre um cadáver e seu raptor. Um conto mórbido com a sutileza de um casal impossível. Carl von Cosel amou, mimou e coabitou em seu leito com o corpo sem vida de Maria Elena Milagro de Hoyos durante 7 anos. Marionete de sentimentos, alucinações e paixões, Elena foi consorte pós morte de um homem enigmático e obsessivo que, graças à empatia gerada por sua história, foi exonerado pela lei e indultado pela sociedade.

"Quero ser teu enfermeiro, teu amo, teu amante, teu marido
... quero cuidar de ti para sempre ou voar contigo às estrelas!". O desenlace, devastador, deixou von Cosel novamente só e consternado. Não poder ajudar, curar sua amada em vida desencadeou sua loucura com a morte. Convenceu à família para pagar o enterro e construir um enorme mausoléu de mármore desenhado pelo próprio Carl. O caixão metálico tinha alguns dutos para fornecer formol e outras substâncias que conservassem o corpo do cadáver. Noite após noite, von Cosel sentava-se junto a seu sarcófago e começava a se comunicar com Elena. Até que um dia, segundo ele, ela suplicou que fosse tirada daquela "prisão" para que pudessem estar juntos. Durante os seguintes sete anos, Von Cosel fez tudo de humanamente possível para manter a sua amada próxima dele; em corpo e alma. Amarrou os ossos com cordas de piano, preencheu seus órgãos desidratados com trapos empapados em líquido embalsamador e canela chinesa e reconstruiu sua vagina, aonde colocou um tubo para que pudesse ter relações com ela. Parte por parte, foi fortalecendo sua pele com trechos de cera e seda, construindo uma máscara de sua face que lhe servia de molde nas manutenções. Tratava regularmente sua pele com loções, poções e eletro-terapia mediante a bobina de Tesla. Substituiu sua podridão com olhos de vidro, e fabricou uma peruca com os cabelos que perdeu durante tanto tempo. Vestiu-a com um traje de casamento, véu de renda branco, tiara e alianças e , depois de perfumá-la com azeites, ninava-a em sua cama com as melodias que tocava no órgão de fabricação caseira.
Von Cosel foi detido por profanação e assim aguardou à espera de julgamento. Mas muitos simpatizaram com o radiologista, achando que o que ele tinha feito era maravilhosamente romântico. Carl depois de posto em liberdade foi ironicamente declarado sensato sem pena alguma. O amor de Carl por Elena foi interminável e assim permaneceu, inquebrantável.
Em 3 de julho de 1952 Carl foi encontrado morto abraçado a uma efígie de cera de tamanho natural de sua amada.